Homo Espiritualis, de Luiz Fellipe de Carvalho, reúne psicanálise e filosofia oriental para investigar ansiedade, angústia e sofrimento humano na sociedade contemporânea marcada por hiperestímulos

Vivemos uma epidemia de ansiedade, segundo dados do Ministério da Saúde os quadros de ansiedade e depressão cresceram 15% em 2025 com relação ao ano anterior, se tornando o segundo maior motivo de afastamentos no trabalho no país. O uso indiscriminado das redes sociais, a eterna busca por mais performance, a corrida injusta com relação a entrega e produtividade dos humanos em comparação com o avanço da tecnologia são alguns dos motivos que levam a este quadro.

Mesmo com os números alarmantes, seguimos buscando soluções mágicas para lidar com estes sentimentos, e é pensando nessa contradição que o psicanalista, sociólogo e professor de yoga, Luiz Fellipe de Carvalho, uniu suas áreas de atuação profissional, a psicanálise e o yoga, para apresentar o livro ‘Homo Espiritualis: a vida além do ego’, (Editora Labrador), o primeiro volume da Filosofia da Essência, programa filosófico que sustenta uma tese incômoda para o pensamento contemporâneo: a de que você não é o que construiu de si — e que todo o esforço para melhorar esse ‘você’ é reforma feita no andar errado do prédio.

Com uma escrita fluida e acessível, ‘Homo Espiritualis: a vida além do ego’ parte de um pressuposto que a modernidade esqueceu: existe uma dimensão do ser anterior ao Eu, à história, à memória e ao desejo. “No consultório, as pessoas preferem parar a angústia a entendê-la. A ansiedade virou um problema de manutenção: tem aplicativo, técnica, curso, prazo para melhorar. O livro faz a pergunta que ninguém quer fazer — e se ela estiver dizendo algo que nenhuma técnica de alívio consegue traduzir? A angústia não é um defeito de fabricação. Ela aparece quando a vida inteira está apoiada numa ideia de si que precisa ser sustentada o tempo todo. Isso cansa”, explica Luiz Fellipe de Carvalho.

Para investigar essa relação o autor coloca em diálogo tradições que raramente se encontram — a psicanálise de Freud, Lacan e Winnicott, a filosofia continental de Kant a Sartre, e a tradição vedântica de Patanjali. Da psicanálise toma o diagnóstico; da prática contemplativa, uma saída que a análise considera impossível.

A obra ‘Homo Espiritualis: a vida além do ego’ como autor ressalta, não é um livro de autoajuda “Esse não é um livro que promete alívio, nem método, nem sete passos. Promete outra coisa — entender de onde vem a dor antes de tentar silenciá-la”, finaliza o autor.

Homo Espiritualis: a vida além do ego
Capa do livro: Homo Espiritualis: a vida além do ego | Imagens: Ilustrativas

SERVIÇO

Homo Espiritualis: a vida além do ego (Editora Labrador)
Luiz Fellipe de Carvalho
144 páginas