Em um mundo que insiste nas fórmulas prontas para a vida adulta, surgem histórias dispostas a questionar essas estruturas em vez de reproduzi-las. Nesse espaço de deslocamento, Rimas do Aleatório encontra seu lugar como uma narrativa distante de respostas fáceis e mais próxima do processo de amadurecimento, das reflexões internas e do inesperado.
O romance da escritora e mestre em Letras Karin Gobitta Földes acompanha Luísa, uma bióloga botânica que vive na Itália e, já adulta, se depara com o retorno de vínculos marcantes da juventude: Fernando, o grande amor do passado, e Renato, amigo próximo a ele. A convivência se organiza a partir de situações concretas do cotidiano: encontros para um café, conversas sobre trabalho, lembranças compartilhadas e diferenças impostas pelo tempo. O passado não retorna como promessa romântica, mas como matéria de comparação — entre transformações e o que já não cabe mais.
A chegada da irmã mais nova de Luísa, Lilian, amplia esse movimento. Ao dividir a casa e a rotina, as duas conversam sobre diferenças geracionais, escolhas profissionais e o que significa ser mulher em contextos distintos. Esses diálogos conectam a experiência individual de Luísa a questões mais amplas sobre independência e construção de laços.
“Achamos que com a idade adulta tudo vai mudar. Não muda. O corpo continua mudando, mas os medos precisam ser enfrentados e nem sempre há uma pessoa mais velha para aconselhar. A idade adulta acaba sendo uma adolescência piorada, talvez por isso muita gente demore tanto a crescer e a amadurecer. Contudo, a vida passa rápido e essa é a graça de aproveitar cada fase, amadurecendo sempre, pois é só a sabedoria que podemos levar quando morremos.” (Rimas do Aleatório, p. 26)
A ambientação italiana não funciona apenas como cenário, mas como matéria viva da narrativa. As cidades, paisagens e ritmos da rotina carregam impressões que dialogam com o percurso emocional da protagonista e refletem vivências da própria autora que, ao transitar por esses lugares, incorpora à ficção suas observações sobre modos de habitar o mundo.
“A vida é cheia de surpresas e sem roteiros. Algo do passado pode retornar no futuro. O mundo dá voltas. Isso acho que inspira o leitor a ver a vida de outro jeito, de um modo mais leve e mais surpreendente”, afirma Karin.
Em Rimas do Aleatório, a escritora recusa os finais óbvios e trajetórias lineares e, dessa forma, se distancia de idealizações ou promessas de completude. A obra é um convite ao leitor para reconhecer o amadurecimento como um processo em movimento — feito mais de transformações do que de certezas.

Ficha Técnica:
Título do livro: Rimas do Aleatório
Autor: Karin Gobitta Földes
Editora: Viseu
ISBN/ASIN: 978-65-598-5353-3
Páginas: 93
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Sobre o autor:
Karin Gobitta Földes escreve desde a infância e construiu sua trajetória literária a partir da participação em grupos de escritores, academias de letras, bienais, de Minas e São Paulo, Flip, Feira do Livro de SP e Festival RME. Graduada e mestre em Letras, integrou antologias nacionais e internacionais — incluindo edições bilíngue e multilíngue e “Rimas do Aleatório” é seu primeiro livro.
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