O amor pelos começos reúne memória, psicanálise e literatura em obra de Jean-Bertrand Pontalis, agora relançada no Brasil pelo selo Paidós

Clássico da psicanálise há anos esgotado, o livro O amor pelos começos, de Jean-Bertrand Pontalis, retorna às livrarias brasileiras em nova edição e tradução para integrar o selo Paidós, da Editora Planeta. Na obra, o psicanalista francês propõe uma celebração da escrita como forma de existir. Ao revisitar lugares, cenas e instantes fundadores da própria trajetória, o autor transforma a autoanálise em literatura, compondo um livro delicado sobre o que se perde, o que retorna e o que insiste em começar.

Memória, tempo e linguagem se entrelaçam em uma narrativa que avança menos pela cronologia e mais pelo ritmo da lembrança. As casas da infância, os cadernos íntimos, o consultório psicanalítico e as cenas banais do cotidiano surgem como espaços onde a palavra se refugia e se reinventa. Entre recordações escolares e encontros marcantes com figuras como Jean-Paul Sartre e Jacques Lacan, Pontalis constrói um mosaico de começos e separações, no qual passado e presente se embaralham sob a lógica sensível da memória.

Considerada a obra-prima do autor, a narrativa é uma meditação poética sobre o viver e o lembrar. A psicanálise não aparece apenas como teoria ou prática clínica, mas como forma de pensar e narrar a própria experiência. O texto revela a delicadeza dos inícios e o poder criador da palavra, convertendo reflexão em gesto literário. “Silêncio de morte para dar vida ao morto. Único meio de perpetuar a mão sobre o ombro, o ombro sob a mão. A crença na salvação recíproca: eu salvava um pai do esquecimento, eu salvava um filho do abandono. Só uma boca fechada pode preservar o tesouro no invólucro hermético de uma alma-corpo. Para não viver até o fim, isto é, em última instância, até o apagamento, o luto de meu pai, eu permaneceria para sempre, mais ou menos, em luto de linguagem.”, escreve Pontalis em um dos textos que compõe a obra.

Mais do que um livro sobre teoria psicanalítica, O amor pelos começos é uma leitura essencial para amantes de literatura, psicanálise ou para quem se interessa pelos modos de formação do sujeito. Anos após a publicação original, a obra reafirma o lugar de Jean-Bertrand Pontalis como um dos grandes pensadores e escritores franceses do século XX.

“Jean-Bertrand Pontalis viveu uma longa vida e nos deixou uma obra forte e extraordinária”
– Le Monde

O amor pelos começos
Capa do livro: O amor pelos começos | Imagens: Ilustrativas

FICHA TÉCNICA

Título: O amor pelos começos
Autor: Jean-Bertrand Pontalis
Tradução: Ana Maria Fiorini
ISBN: 978-85-422-4026-9
192 páginas
Editora Planeta | Selo Paidós
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SOBRE O AUTOR

Jean-Bertrand Pontalis (1924–2013) foi um filósofo, escritor e psicanalista francês. Discípulo de Jean-Paul Sartre e analisando de Jacques Lacan, destacou-se por seu olhar sensível sobre a linguagem e a experiência do inconsciente. Foi um dos fundadores da Associação Psicanalítica da França (APF), presidindo a entidade anos depois. Autor de ensaios e narrativas literárias, que transitam entre a filosofia, a literatura e a clínica, escreveu, em parceria com o também psicanalista Jean Laplanche, o clássico Vocabulário da psicanálise, obra fundamental para a difusão do pensamento freudiano. O amor pelos começos é seu primeiro livro pelo selo Paidós da Editora Planeta.

SOBRE O SELO PAIDÓS

Criado na Argentina em 1945, quando dois professores universitários decidiram publicar Carl Gustav Jung pela primeira vez no país, o selo Paidós passou a integrar o Grupo Planeta em 2003, chegando ao Brasil em 2020. Hoje conta com mais de 2 mil títulos lançados na Espanha e em países da América Latina. De origem grega, a palavra “paidós” significa “criança” e, assim como o espírito questionador dos pequenos, o selo tem como objetivo discutir e buscar perguntas certeiras para algumas das principais questões da humanidade com base em obras de psicologia, psicanálise, psiquiatria, neurociência e outras áreas de ciências humanas para o público geral. No Brasil, o selo conta com nomes como Christian Dunker, Contardo Calligaris, Ana Suy, Alexandre Coimbra Amaral, Geni Núñez, Alexandre Patricio, Rubem Alves, Irvin D. Yalom, Erich Fromm e Silvia Ons.