O livro de Dora e suas irmãs narra a jornada de uma mulher à frente de seu tempo, contada a partir de relatos íntimos e emocionantes de sua vida

Houve um tempo em que as pessoas tinham o costume de registrar seu dia a dia em diários. Foi o que fez Maria Dora, que residia no Bairro das Indústrias, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Em vida, ela confiou suas anotações para sua melhor amiga desde a infância e, quando Dora faleceu, um dos filhos entregou-lhe os demais volumes. Essa amiga é a jornalista mineira Sulamita Esteliam, que assumiu o compromisso de publicá-los.

Os relatos de Dora são uma profusão de histórias de afeto, fantasias, dores e silêncios que extrapolavam o cotidiano de uma família: contam a saga de uma mulher simples – uma costureira – que estava à frente de seu tempo, desconhecia preconceitos e levava a vida a trabalhar, criar sua prole e apaixonar-se.

Para escrever o livro, Sulamita foi atrás dos personagens citados no diário e também ampliou as passagens em que ela própria era personagem. A autora do livro define assim o papel que lhe foi confiado por Dora e seus filhos. “A mim, contadora de histórias, resta-me alinhavá-las de modo a torná-las apetecíveis ao correr dos olhos e ao acolher da alma”.

O livro tem prefácio da jornalista Eneida da Costa, que foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas. Ela considera “Dora e suas irmãs” um livro que descreve a complexidade de uma vida simples. “Cada relato de dor, alegria, nascimento, casamento ou partida da família de Dora ou de Sula nos leva a uma memória de nossa própria história. É a vida que pulsa em encontros e despedidas, que emociona, decepciona muitas vezes, mas nos faz levantar mais fortes”, afirma, no texto de orelha, a jornalista Ana Karla Dubiella.

A autora – Sulamita Esteliam é mineira de Belo Horizonte, radicada no Recife/PE há 28 anos. Formada em jornalismo pela Fafich/UFMG, em 1979, passou por várias redações de jornais e revistas em Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza, quase sempre nas áreas de economia e política. Migrou para o Recife, onde trabalhou com os movimentos sindical e sociais, com breves passagens pelo poder público. É autora dos livros “Estação Ferrugem” (Vozes, 1998) e “Em Nome da Filha” (Viseu, 2018).