Entre os dias 25 de fevereiro e 3 de março de 2026, o escritor e comunicador baiano Lucas de Matos realiza, em Luanda (Angola), o projeto Preto Ozado: Circuito de Lira Afrolusófona. A atividade é uma circulação literária internacional que articula poesia falada, mediação de leitura, audiovisual e intercâmbio cultural entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa (PALOP).
Com atividades no Instituto Guimarães Rosa – Luanda, na Biblioteca Contr’Ignorância, na Kiela Livraria e no Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIM’art), o projeto promove a circulação do livro Preto Ozado (2022) em diálogo com obras de escritores africanos contemporâneos, fortalecendo conexões no campo da literatura afrolusófona.
Mais do que uma agenda de apresentações, o circuito se estrutura como espaço de troca estética e política, onde a palavra poética é compreendida como ferramenta de memória, identidade, crítica social e pertencimento. O autor, que já realizou lançamento do livro em Moçambique, destaca a importância de fazer travessias compartilhando sua arte.
“É uma maneira de fortalecer a literatura brasileira em solo africano”, destaca o comunicador que, em 2025, entrevistou a escritora Paulina Chiziane em Moçambique. “O projeto busca aproximações com a poesia daqui e de lá. Vamos experimentar a palavra para além da escrita, mas sobretudo na fala e na interpretação. Estou muito entusiasmado”, destaca.
A programação inclui a sessão de cinema “Dos livros pras telas”, com exibição do minidocumentário Preto Ozado e da série Confissões de Viajante sem Grana. Após as exibições, o público participa de bate-papo com Lucas de Matos, a produtora cultural Manoela Ramos e o roteirista e fotógrafo Edvaldo Silva Júnior, responsável pela montagem do minidocumentário.
Também integra o circuito o lançamento do livro Preto Ozado, com sessão de autógrafos e roda de conversa sobre o cenário editorial afro-brasileiro e africano. O debate aborda desafios estruturais da publicação independente, políticas de leitura e circulação internacional de obras.
O projeto conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia, através do Edital de Mobilidade 2025/2026. Conta ainda com o apoio da FLOTAR e da OMI Plataforma, fortalecendo a circulação internacional da produção literária afro-brasileira.
AGENDA:
Biblioteca Contr’Ignorância
25/02:
16h às 18h – Vivência de Performance Poética
18h às 19h30 – Sessão de cinema
28/02:
14h às 17h – Sarau do Preto Ozado
Livraria Kiela
27/02:
18h – Encontro sobre poesia brasileira, com Lucas de Matos e Manoela Ramos
ANIM’art
03/03:
14h às 16h – Vivência de Performance Poética
17h às 18h – Sessão de cinema
Sobre o livro:
Preto Ozado, obra que marca a estreia de Lucas de Matos no mercado editorial, circulou em lançamentos realizados em diversas cidades do Brasil. A obra alcançou o 39º lugar entre os livros de literatura e ficção mais vendidos da Amazon e já ultrapassou a marca de 5.000 exemplares vendidos em todo o país.
Reunindo mais de 45 poemas, organizados nas seções “De Onde Vim”, “Onde Estou” e “Para Onde Vou”, a obra aborda temas como antirracismo, ancestralidade e o poder transformador da educação. A publicação conta ainda com ilustrações evocativas de Silvana de Menezes, que ampliam e enriquecem a experiência estética do leitor.
Sobre os artistas
Lucas de Matos é escritor e comunicador, atuando na poesia escrita e falada desde 2015. Autor de Preto Ozado (2022), Antes que o Mar Silencie (2024) e do livro infantil Lino: O Menino Bailarino (2025), participa de saraus, festivais literários, palestras e projetos de formação no Brasil e no exterior. Sua pesquisa poética atravessa oralidade, identidade negra, memória e deslocamentos.
Manoela Ramos é escritora, produtora cultural e curadora artística. Autora de três livros, é idealizadora da FLIPEBA (Festa Literária da Península de Itapagipe) e atua na articulação de projetos literários no Brasil e em Moçambique, com foco em literatura negra e circulação independente.
Edvaldo Silva Júnior é roteirista e fotógrafo de Salvador (BA), com experiência em documentários e cobertura audiovisual de eventos culturais, desenvolvendo narrativas visuais voltadas para arte, território e memória.















